sábado, 19 de março de 2011

Escrevi a palavra flor...

Escrevi a palavra Flor no verso do envelope cor de laranja que deixei debaixo da sua porta. Assim lhe chamava às vezes, Minha Flor, ou apenas Flor. Apesar do mau gosto de chamar isso a alguém, ela gostava, porque só eu lhe chamava isso, e é bom quando as palavras deixam de ser apenas sons e se tornam também memórias de alguém. A Minha Flor partiu, uns dizem que foi ao norte do país ver a mãe de quem sentia saudades e que voltaria em breve, outros dizem que foi para sul estudar outras coisas para ser mais feliz. Não me dão certezas, nem um número de telefone, nem uma morada. Começo a escrever-lhe para não me sentir frustrada. Os corredores dos dormitórios da Universidade são longos e ruidosos, mas eu atravesso-os todos os dias para lhe deixar mais uma carta. Esta carta, entre tantas outras, é particularmente especial, conta histórias que não vivemos mas que podemos muito bem desejar, e só eu sei o quanto desejo ter histórias com ela. Flor um dia vai voltar e um dia vai ler todos os meus desejos de uma só vez. Tenho tantas saudades tuas Flor.

2 comentários:

  1. Catarina seja bem vinda! O 1º texto publicado a gente nunca esquece :-)
    Romântico o teu personagem; o lado feminino dele está a combater a decepção da perda com uma esperança de donzela aprisionada numa masmorra.
    Bj

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  2. Adorei! Senti-me a amiga que escrever a carta e espera pelo regresso da Flour... Vanessa

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