Hoje acordei com o coração nas mãos. Bebi um copo de água para me acalmar a sede e a inquietação. Da janela via os suspiros dos outros e invejava-os. Queria-os para mim. Mas a garganta amordaçada pelo tempo não deixava que os suspiros escorressem como escorrem os pingos da chuva amarga no vidro de uma janela. Agarrei nos braços como se fossem pinças e esculpi-me na tua memória branca. Acordei com o coração nas mãos e não sei mais o que fazer com ele. Pensei em guardá-lo num frasco, em conservação, até que alguém se atrevesse a devolver-mo sem que me saltasse pela boca. Pensei em fazer dele a minha luta – é com ele que luto todas as noites – mas estou cansada como quando se dança uma noite inteira e o corpo cai absorto do mundo na cama dura. Pensei em atirá-lo pela janela até que alguém tropeçasse nele e o trouxesse à vida. Já nem sei o que mais pensei. Sei que o cheiro ácido do coração que lutava pela vida entre os meus dedos, me chegava às narinas e eu continuava impávida, alheada, expectante, sem saber o que fazer com ele.
Laura
Laura
Uaaau Laura... Ainda pões essa letra numa música.
ResponderEliminarTem um estilo Led Zeppelin que combina com a tua verve Jannis Joplin
Coração sofrido esse. :) Beijo, Vanessa
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